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sexta-feira, 8 de março de 2013

Uma Educação Pró-Social

por Sara M. Garcia




        Há dias, em contexto de sala de aula, na qualidade de aluna-futura professora, observava um grupo de crianças, as suas atividades, comportamentos e formas de expressão. Uma fruição autêntica da realidade escolar. Deixei-me ficar. Compenetrada nos sorrisos espontâneos, no espírito aguçado, na sua natural pré-disposição em saber e aprender, nas expressões engraçadas assinalando “novidades” e, de repente, fui como que atingida por uma onda de responsabilidade. Pensava para comigo serem crianças e, portanto, seres frágeis, mas capazes de “mover montanhas”, pedaços de vida em ebulição, cada um com um percurso singular, no qual terei o privilégio (e acrescida responsabilidade) de deixar a minha “marca”, ainda que passageira. Senti que poderia contribuir, de alguma forma, para a sua formação e crescimento, enquanto alunos e pessoas.

            Na verdade, esta é uma das mais humildes e complexas constatações de um educador/professor. Uma missão fulcral na preparação de um “cidadão do mundo”.

            Ali, observava fragmentos que pertencerão ao futuro e pude lembrar-me da máxima socrática, a de tornar as crianças boas e inteligentes.

            É nesta linha de pensamento que sinto que cabe ao agente educativo, nomeadamente, educadores e professores, delinear um ensino/aprendizagem no qual sejam fomentadas estruturas sólidas em princípios e valores de uma educação para a cidadania (o assumir-se como pessoa), alicerçadas em condutas pró-sociais.

            Incutir, desde cedo, na criança comportamentos de disponibilidade, generosidade, solidariedade, de apreço e atenção para com os outros, segundo um perfil altruísta (isento de “recompensas” e “compensações”) é, sem dúvida, uma mais-valia para o educando e para a sociedade em geral.

            Estas práticas “pró-sociais” (de cariz transversal ao ser humano) deverão ser abordadas atendendo aos diferentes níveis de escolaridade e de desenvolvimento pessoal em que a criança se encontra.

            Na Educação Pré-Escolar a criança situa-se numa fase de egocentrismo (segundo Piaget), o que pode dificultar o desenvolvimento altruísta e a perceção do outro. Porém, há que alertá-la para a existência da dimensão social, para o cumprimento de determinadas normas de respeito pela dignidade humana, para que esta nas suas ações possa atuar de forma (quase) autónoma perante determinadas situações, identificando “o bem” e “o mal” (podendo aqui referir-se os estádios de raciocínio moral defendidos por Kohlberg).

            No 1º Ciclo do Ensino Básico, a criança apresenta uma maior fluidez em compreender que, numa atitude de partilha, mesmo que se “desfaça” de determinado bem, é capaz de recolher benefícios desta despojada atuação (a nível material, psicológico e ético/moral). Além disso, será capaz de se colocar no lugar do outro e de refletir a relevância da sua generosidade.

            Acredito que uma educação pró-social e, consequentemente, mais humana não se esgota num conjunto de prescrições (ou “receitas”) de formas corretas da criança atuar, mas sedimentar-se-á numa ampla construção do ser pessoa, de saber como agir sobre determinado conflito/ situação problema, de forma autónoma, responsável e conscienciosa. Conteúdos que deverão ser incrementados, desde cedo, pelo ambiente escolar e familiar, a fim de crianças e jovens, conhecedores das variadas áreas de formação (linguística, artística, matemática, científica, entre outras), bem como com um vasto sentido de humanismo, construam um melhor rumo para a vivência presente e futura em sociedade.


           
           
           
           
            

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