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segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Memória - Welcome to the dark side

por Ana Melo Faustino



Memória, uma das grandes capacidades conhecidas do cérebro humano, instigadora de curiosidade, desde há vários séculos, não só a cientistas, mas também a filósofos e à própria sociedade.

Atualmente, sabe-se que a memória resulta de uma complexa comunicação neuronal entre diversas estruturas, tais como o hipocampo, o gyrus parahipocampal, os cortéx pré-frontal, pré-cúneo, cingular, temporal, entre muitos outros, e, ainda, a amígdala. Esta é uma estrutura altamente importante para o comportamento social, bem como para o processo de auto-referenciamento, desempenhando, por isso, um papel crucial no tema que vos trago para esta semana – a hipertimesia ou hiperamnésia autobiográfica.

A hipertimesia traduz-se  por uma condição clínica na qual o indivíduo possui uma memória autobiográfica superior, isto é, consegue recordar um grande leque de experiências e eventos vividos anteriormente, sendo-lhe possível relatar com bastante detalhe quase todos os dias da sua vida.


Em 2006, na revista Neurocase, foi documentado o primeiro caso de hipertimesia, o da americana AJ (Jill Price). Atualmente, conhecem-se cerca de 20 casos em todo o planeta, mas a verdadeira etiologia desta patologia permanece pouco conhecida.


No entanto, os estudos científicos efectuados demonstraram que, apesar de uma memória autobiográfica superior ao normal, há uma certa dificuldade no que toca a memorizar pequenas coisas do dia-a-dia; por exemplo, AJ que declarou usar 5 chaves diferentes no porta-chaves e, no entanto, nunca sabe a onde pertencem. Outro exemplo seria o de Aurelien Hayman, um jovem de 20 anos, que afirma não ter qualquer vantagem face ao seu curso universitário devido à sua condição.
Os cientistas afirmam haver uma compensação , verificando-se um deficit em funções de organização e controle mental, podendo inclusive haver  tendências obsessivo-compulsivas.


Ora bem, quem não odeia esquecer-se do aniversário de um amigo, a password da conta, aquele recado que era importante? Pois bem, eu cá acho que o esquecimento é subestimado na sociedade e, no entanto, chegamos a esquecer o próprio esquecimento.

Mas como será viver sem conseguir esquecer aquele dia horrível? Aquela vergonha que passamos em frente a alguém que queríamos surpreender? Aquela discussão que nos desfez em mil pedaços? A morte daquele familiar/amigo tão querido? Aquele acidente traumático? Aquele medo de infância?
O ramo da psicologia estuda um processo mental conhecido pelo nome de Recalcamento que, muito resumidamente, consiste numa forma de armazenar a informação que nos é “dolorosa”, uma informação que precisa/deve ser “esquecida”, que nos influencia, sim, mas que não está “ativamente” presente no dia-a-dia, contrariamente, por exemplo, à noção de “quem sou eu”.  Mas, e se não existisse este processo, e se fossemos obrigados a recordar cada passo que demos ao longo de 10, 20, 30 anos...?
É o que acontece aos indivíduos com hipertimesia, acabam por ser “forçados” a lembrar-se da roupa que vestiam, o que comeram ou que músicas ouviram na rádio no dia X ou Y, mesmo que tenha sido há 25 anos atrás. Muitos afirmam que simplesmente lhes vem à memória, por vezes, revivem-na numa espécie de filme, outras nem dá tempo para isso... simplesmente se lembram, sem qualquer esforço.

E agora, ainda excomunga o esquecimento?

Documentário (inglês):  
















Consulta:
A case of hyperthymesia: rethinking the role of the amygdala in autobiographical memory

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Próteses: aparelhos de assistência ou mecanismos de melhoria?

por Parelho


Como tema de “conversa” para esta semana, optei por um tópico que ligasse todo o progresso científico e tecnológico que se tem observado nas últimas décadas a aplicações na Medicina e eis que me encontro a escrever sobre Próteses. Uma Prótese é o que, em Medicina, se chama a qualquer extensão artificial que substitua uma parte do corpo perdida num trauma ou ausente desde o nascimento.

Poder-se-ia pensar que o desenvolvimento das Próteses é resultado da evolução científica e tecnológica que se verificou depois da Segunda Grande Guerra, mas na verdade a sua origem remonta às antigas civilizações Egípcias, Gregas e Romanas. Mas é claro que a utilização de materiais como ferro, aço, cobre e madeira deu lugar ao uso de materiais mais leves e resistentes como a fibra de carbono e o alumínio, e que as próprias limitações funcionais dos modelos da época foram superadas com a introdução de controlos hidráulicos e pneumáticos e de microprocessadores computorizados, de tal forma que as Próteses têm sofrido um progresso exponencial nos últimos tempos.


Devo admitir que, à primeira vista, esta não parece ser uma temática muito interessante mas, na minha opinião, um assunto é sempre desinteressante até que se comecem a fazer as perguntas certas. Começamos com uma simples…

Se as Próteses têm sofrido uma tão grande evolução, porque não são divulgados os achados?

Os achados são divulgados, com certeza. Apenas não o são em meios que cheguem à maioria do público, sendo a sua apresentação feita em publicações e conferências que só à comunidade científica interessam. E a informação que de facto chega ao resto do público é escolhida muito seletivamente. E a razão para tal é muito simples. Por mais magníficos que sejam os aparelhos apresentados, eles constituem um serviço que será sempre personalizado, e isso implica custos de produção muito elevados, que quanto menos revelados, melhor.

E continuamos com as interrogações…

Existe, então, alguma utilidade em continuar a investir no desenvolvimento das Próteses?

Absolutamente! O estilo de vida que nós, civilização em global, levamos faz com que seja imperativo o desenvolvimento deste tipo de aplicações. Se enumerarmos guerras, acidentes de trabalho, acidentes de viação, defeitos congénitos, conseguimos elaborar uma lista de razões para apostar nestas iniciativas.

Até que chegamos ao cerne das discussões…

Mas se a tecnologia atual possibilita o fabrico de Próteses que permitem a um amputado ter uma vida virtualmente sem restrições e se o custo de produção constitui o principal entrave à disponibilização dessas Próteses, porque não investir um pouco na procura de materiais que ofereçam uma igual eficácia mas a um menor custo? Esta pergunta é imediatamente seguida de outra: não é isso que se faz na atualidade?

Surpreendentemente, não. Há já algum tempo que a diminuição do custo de produção deixou de ser objetivo primordial e passou para segundo plano, dando lugar a outros alvos, uns que são resultado da tão caraterística megalomania da civilização. É que produzir Próteses que possibilitassem uma vida “normal” aos amputados deixou de ser motivação suficiente e os investigadores procuram agora melhorar as Próteses de modo a que estas permitam desempenhos sobre-humanos.

Para quem pensa que isso é impossível, existem estudos que demonstram que velocistas Paraolímpicos com Próteses desenvolvidas com a mais recente tecnologia têm um consumo energético 25% menor que os velocistas regulares. Perante estes resultados, os investigadores alegram-se e a sua mente enche-se de possibilidades, e a aposta em investigação deste tipo ganha cada vez mais ênfase.


O rumo por onde tem enveredado a investigação neste campo tem sido alvo de muito debate pois teme-se que as Próteses comecem a ser desenvolvidas para fins que não os medicinais. Por exemplo, teme-se que passem ser utilizadas para o melhoramento funcional de indivíduos saudáveis de modo a criar uma “Super Raça”.

Mais uma vez, para quem pensa que isso não é possível, em 2002, um investigador britânico introduziu em si próprio um conjunto de elétrodos que lhe permitiram o perfeito controlo de um braço robotizado. Como resultado, desenvolveram-se comités que, até hoje, discutem se é eticamente correto, ou até mesmo desejável, o desenvolvimento científico para estes fins.

Estaremos nós longe de habitar uma sociedade parcialmente Biónica ou será apenas uma questão de tempo? Será moralmente aceitável amputar um indivíduo saudável com a finalidade de instalar uma Prótese que melhore as suas funções? Será justo interromper o desenvolvimento científico dessas Próteses? Não será mais importante o progresso tendo em vista cortes no custo de produção? Estas são perguntas que requerem reflexão e cujas respostas variam de pessoa para pessoa, de acordo com a visão que tem do mundo, e são com elas que vos deixo. Até à próxima!

Para os interessados em saber como se faz a montagem de uma Prótese nos dias que correm…

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

A Mecânica Quântica

por Miguel Furtado


Antes de mais, deixo claro que não vou explicar Mecânica Quântica. Teria muito gosto em fazê-lo de forma rápida e simples, mas não acho que isso seja possível.

“I think I can safely say that nobody understands Quantum Mechanics. 
Richard Feynman, 1965, The Charac­ter of Physical Law.

Esta célebre afirmação de Feynman, escrita no ano em que recebeu o prémio Nobel, dá a entender a grande dificuldade na percepção do tema. Sinceramente, eu também não consigo compreender esta teoria. O meu objectivo é cativar-vos para a mesma, dando a conhecer algumas noções e curiosidades, essas sim, mais ligeiras.

Este ramo da Física, de natureza probabilística, matemática, é indispensável para o estudo de sistemas de pequenas dimensões, por exemplo, moléculas, átomos, electrões ou outras partículas subatómicas. O seu nome provém da quantização da energia – as partículas possuem apenas valores energéticos bem definidos, discretos, e não um valor qualquer. Por isso, as ondas electromagnéticas (luz visível, raios X, microondas, ultravioleta, etc) podem ser explicadas como uma emissão de “pacotes” de energia, a que se deu o nome de quanta. É a existência dos quanta que impede as ondas de absorverem toda energia do Universo, pois devido a estes, apenas “aceitam” um determinado valor específico.


O exemplo que melhor ilustra a complexidade da Mecânica Quântica é o notável paradoxo do gato de Schrӧdinger. De uma forma muito simples: existe um gato dentro de uma caixa isolada e um veneno pode ou não ser libertado para o sistema, matando o gato (probabilidade de 50%). Os estados possíveis são dois – o gato estar vivo ou estar morto – no entanto, a Quântica afirma que até se abrir a caixa o gato encontra-se vivo e morto ao mesmo tempo, ou seja, todos os estados possíveis estão combinados. Quando a observação ocorre, então essa sobreposição de estados dá lugar a um estado bem definido. Intuitivamente achamos que o estado do gato é independente da observação, mas em Quântica isso não acontece. De facto, o estado de um sistema quântico é influenciado pelo processo de observação. Claro que também não podemos considerar um gato como um sistema quântico!

Este paradoxo levanta questões interessantes: o que força a Natureza a escolher um dos estados, isto é, a colapsar para uma das realidades? Ou será que ambas as hipóteses ocorrem em universos paralelos? Esta última pergunta vai de encontro à conhecida Teoria das Cordas.

A influência da observação no estado do sistema é evidente na experiência da dupla fenda usando electrões, explicada de forma muito interessante no seguinte vídeo:



Verifica-se que, incrivelmente, o electrão muda de comportamento conforme o modo como é observado! Além disso, ao obter-se os resultados esperados para uma onda, conclui-se que um único electrão passa inteiramente e em simultâneo pelas duas fendas, interferindo, posteriormente, com ele próprio. Algo incompreensível, mas, a meu ver, fascinante!

Tocando muito ao de leve no assunto, esta teoria está ligada ao Princípio da Incerteza de Heisenberg. Se estudarmos o movimento do electrão, conseguimos determinar com precisão a sua posição mas não a sua velocidade ou vice-versa, porque em Quântica não existe o conceito de trajectória. O princípio afirma que o produto das incertezas (erros associados à medição) das grandezas, neste caso, posição e velocidade, não pode ser inferior a uma constante (a de Planck normalizada). Como tal, se uma grandeza for muito precisa a outra, necessariamente, não o poderá ser.


A Quântica representa um ruptura com as ideias clássicas e uma nova e radical forma de percepção da realidade, por isso é considerada como a maior revolução científica do século XX. As suas aplicações vão muito para além da compreensão das partículas atómicas e subatómica. A alta tecnologia dos dispositivos electrónicos de hoje só é possível graças a esta teoria. Enumerando alguns exemplos tem-se: lasers, cd’s, dvd’s, blue-ray, controlo remoto, aparelhos de ressonância magnética, microscópio electrónico, transístores – componente indispensável de qualquer equipamento electrónico moderno. Actualmente, estuda-se o desenvolvimento de processadores e relógios quânticos, esperando rendimentos muito superiores aos actuais, bem como a área da criptografia, permitindo transmissões de informação de uma forma mais segura que a actual. Por fim, também permitiu a descoberta da superfluídez e supercondutividade. Ambos são estados anómalos da matéria caracterizados, respectivamente, por viscosidade e resistência eléctrica nula. 



Devido à falta de viscosidade, o líquido escorre livremente pela superfície de modo a igualar o nível entre os recipientes interior e exterior.



No vídeo encontra-se um exemplo de aplicação dos supercondutores. Actualmente existem comboios que funcionam através desta tecnologia, os Maglev – Magnectic Levitation Transport.

Devido ao seu forte cariz matemático e até metafísico, muitos dos que a estudam defendem que a Mecânica Quântica, em vários casos, não necessita de interpretação, motivando o surgimento do ditado: “Cale-se e calcule!”.

Espero ter-vos aguçado a curiosidade.

sábado, 9 de fevereiro de 2013

TRANStorno de identidade do género (sEXUALIDADE)

por Filipa Lima


Enquanto pesquisava sobre a transexualidade e transtornos de identidade do género fiquei surpreendida com a quantidade de teorias e estudos que existem sobre o assunto. Havia informação suficiente para restringir os meus textos aqui no blog a esse assunto, contudo decidi abordar o tema focando apenas aspetos mais científicos. Deixo o desafio aos meus colegas do id est para escreverem sobre a componente mitológica, histórica e filosófica.

A transexualidade é um tipo de transtorno de identidade do género, em que o indivíduo se identifica com o sexo oposto ao que lhe foi designado ao nascimento, de acordo com os seus caracteres sexuais. É importante salientar que o transexualismo não pode nem deve ser confundido com travestismo ou homossexualidade, havendo uma enorme diferença entre estes 3 conceitos: no travestismo o indivíduo não sente a sua identidade de género trocada (por exemplo, homem com corpo de homem e sentindo-se homem), mas usa roupas do sexo oposto com o objetivo de ter prazer erótico, para se excitar. Apenas em casos em que a pessoa passa a vestir-se como mulher a maior parte do tempo e a ter dúvidas e sofrimento em relação à sua identidade de género é que se deve pensar que possa haver transexualismo latente. Já no homossexualismo, a pessoa também se sente adequada quanto à determinação do seu sexo (tem corpo de homem e sente-se homem), porém tem atração afetiva e erótica por outras pessoas do mesmo sexo que ela.

Para um indivíduo ser diagnosticado com transtorno de identidade do género tem de ter os 4 componentes descritos a seguir:
  •        Uma forte e persistente identificação no género oposto;
  •        Sentir um enorme desconforto com o género que lhe foi atribuído ao nascimento;
  •       Esse desconforto não deve estar relacionado com nenhuma alteração cromossómica ou nos órgãos genitais, como por exemplo o hermafroditismo;
  •        Esse desconforto traz bastante sofrimento e prejuízo ao seu dia a dia.

Desta forma, o diagnóstico de um transexual nada tem a ver com a sua orientação sexual, podendo existir um homem que se identifica como mulher e se sente atraído por homens, portanto um transexual heterossexual ou um homem que se identifica como mulher e se sente atraído por mulheres, logo um transexual homossexual. Há ainda indivíduos, que mudam a sua preferência sexual após a transição, enquanto outros permanecem iguais.




O diagnóstico médico de um transexual é fundamental para uma melhor qualidade de vida destes indivíduos. Antes de mais, concede-lhes uma certificação da condição médica, que lhes irá facilitar o dia-a-dia, como permitir mudar o nome social (nome pelo qual as pessoas com transtorno de identidade do género preferem ser chamadas, enquanto o nome oficialmente registado não puder ser mudado) ou possuir o direito de usar a fila ou a casa de banho do género alvo, se assim o desejarem. Permite ainda o acesso a tecnologia e recursos médicos necessários para a transição de género, assim como um maior apoio pelos sistemas de saúde que irão ter em conta a situação como “medicamente necessária” e não como um capricho.

Os custos para fazer a transição de género são bastante elevados, por exemplo, para um homem transitar para mulher terá como gastos (valores nos EUA, convertidos de dólares para euros):
·       Custo da cirurgia – 12 630.45 euros
·       Terapia – 743 euros
·       Hormonas e tratamento – 1115.18 euros
·       Consultas médicas – 371.72 euros
o   Total: 14 860 euros

Estes valores demonstram a enorme importância do diagnóstico para que os sistemas de saúde comparticipem estes tratamentos. De salientar, que a lista cima é apenas uma pequena parte, pois um indivíduo com transtorno de identidade do género tem de passar por:
  1. Aconselhamento psicológico durante todo o processo de transição;
  2. Terapia hormonal de ajustamento;
  3. Consultas médicas para monitorização do tratamento hormonal;
  4. Tratamentos a laser para remoção dos pelos faciais e cirurgia para aumento mamário em mulheres transexuais;
  5. Próteses penianas e testiculares em homens transexuais;
  6. Mastectomia bilateral e reconstrução mamária;
  7. Cirurgia de reconstrução dos genitais;
  8. (…)

As causas da transexualidade ainda não estão bem definidas, há quem defenda que se deve a causas físicas, outros afirmam que se deve apenas a fatores psicológicos. As evidências que apoiam as causas físicas são a exposição a hormonas sexuais cruzadas durante o desenvolvimento fetal (exposição a testosterona em feto do sexo feminino e progesterona ou estrogénios em feto do sexo masculino), levando ao desenvolvimento de comportamentos sexuais também cruzados. Também estudos em gémeos têm demonstrado uma forte origem hereditária para a transexualidade. Desta forma, julga-se que a transexualidade pode ser determinada, em parte pela genética e em parte pelo ambiente hormonal no útero. Por sua vez, há quem diga que a dualidade de géneros é uma construção humana, assim como a dualidade de sexos. Fisicamente ninguém seria estritamente masculino ou feminino, sendo a intersexualidade (“qualquer variação de caracteres sexuais incluindo cromossomas, gónadas e / ou órgãos genitais que dificultam a identificação de um indivíduo como totalmente feminino ou masculino”) o exemplo mais óbvio de pessoas com constituições que não são tipicamente masculinas ou femininas. Segundo este ponto de vista também a variedade nos físicos das pessoas e a própria constituição biológica dos homens e mulheres, a similaridade dos corpos, mostra que estes não são estritamente definidos. Assim, os defensores das causas psíquicas afirmam que o estudo das causas físicas estigmatiza todos os que não se conformam com a rígida divisão de géneros e tende a defender a não-binariedade tanto física quanto psíquica.

Ainda há um longo caminho a percorrer no que se refere ao estudo dos transtornos de identidade do género, não estando ainda bem definida a diferença entre identidade e o papel social do género. Estima-se que um em cada 37 mil homens e uma em cada 100 mil mulheres seja transexual, embora não pareça um número elevado, há que ter a noção de que estas pessoas existem e que embora ainda não se saiba a causa para este tipo de transtorno, os tratamentos já são possíveis.

Deixo aqui alguns vídeos para quem tiver curiosidade sobre o tema: