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quarta-feira, 24 de abril de 2013
Séries
por DavidN
Hoje venho falar de séries. Pois bem, tal deve-se a um grande número de factores. Ao facto de já ter visto tantos filmes, que às vezes os que faltam ver, não me chamam assim tanto, aliado ao facto de não haver assim tantas estreias de gabarito, como pelo facto de não ter muito tempo livre, para despender em 2 horas consecutivas num filme com a regularidade que desejava.
Assim sendo, os poucos furos vão sendo preenchidos com séries, que à partida, parecem ideais para encher buracos e entreter durante uns minutos, mas que, com uma escolha sábia, são capazes de entregar também histórias sérias e bem construídas, pois têm tempo para amadurecer as personagens e permitir-nos identificar com as histórias e atitudes das mesmas, coisa que em filmes de hora e meia, nem sempre dá tempo. Vou começar por referir algumas das minhas séries favoritas que já acabaram, e depois remeterei para umas quantas que ainda estão no "ar".
24 : Por muitos considerada uma das melhores séries de sempre, é uma série onde acompanhamos a Unidade de Contra-Terrorismo de LA, seguindo de perto Jack Bauer, o melhor homem no terreno e que salva a América 8 vezes. Em cada temporada, seguimos uma história diferente, ao longo de 24 horas, em tempo real. Frenética e cheia de acção, bem construída, boa sonoplastia e um grande papel de Kiefer Sutherland fazem esta série pertencer ao meu top5. Acabou em 2010 por o custo por episódio (elevado dado o tipo de série) já não render o lucro desejado.
Chuck : Uma agradável surpresa, é uma série onde acompanhamos Chuck Bartowski (Zachary Levi), um geek que por uma série de infortúnios acabou a trabalhar na secção de informática de uma cadeia de supermercados e que um dia, descarrega para o seu cérebro uma série de dados confidenciais do Governo, e torna-se um espião de um dia para o outro. Muito divertida, consegue juntar com sucesso o bom humor de uma comédia, com romance e muita acção, como uma série de espionagem bem o pede. No topo do bolo, uma das melhores soundtracks de séries de sempre. A ver e ouvir.
30 Rock : Comecei a ver por acaso na RTP2, (como foi o caso, aliás, das anteriores duas), e "desde logo me prendeu". Um humor bem construído sobre as situações e peripécias do backstage de um programa televisivo, quer entre guionistas, quer com as "estrelas", quer com a direcção, onde Jack Donaghy (Alec Baldwin) toma especial destaque. É impossível não gostar da sua personalidade e humor, nem ao consistente argumento de Tina Fey.
Agora relativamente a séries ainda a passar nas televisões (nacionais ou estrangeiras), gostaria de
mencionar cinco.
Game of Thrones : Uma série muito bem construída, com um bom argumento, elenco e fotografia.
Está bastante em voga, pelo que dispensa apresentações.
House of Cards : Primeira série a estrear unicamente online (no site Netflix) e não na televisão. Tem mão do poderoso realizador David Fincher e conta com Kevin Spacey no principal papel de um ambicioso congressista americano, na sua sede de subir na cadeia e chegar a presidente. Óptima
série a todos os níveis.
Mad Men : Comecei a ver por, mais uma vez, por ter ideia de que era uma série com uma personagem principal de carácter forte, decidido e que "domina a tela", tal como outras das séries que já referi e que gosto bastante. E não fiquei decepcionado. Jon Hamm como Don Draper tem de facto um papelão, como Director criativo de uma empresa de publicidade de Manhattan nos anos 60.
Sherlock : Esta nova versão do famoso detective inglês, produção da BBC, coloca-o na nossa época, e faz uso das novas tecnologias quando precisa, para atingir os seus fins. À primeira vez pode parecer que não funciona, mas bastaram-me alguns minutos no primeiro episódio para ficar agarrado. Tem Benedict Cumberbatch e Martin Freeman nos principais papéis e entregam óptimas performances. Muito boa.
Curb Your Enthusiasm : É da autoria de Larry David e tem-no no principal papel. O humor é do melhor que há, a explorar a comicidade das situações do dia-a-dia. Recomendo em particular a última temporada, passada em NY. Para fãs de Woody Allen, identificar-se-ão rapidamente.
Como habitualmente, seguindo o alfabeto, hoje temos o 'G'. Assim sendo, tenho de recomendar o
muito conceituado Gladiador (2000), Goodfellas (1990) para qualquer fã de filmes da mafia italiana
em NY, com Robert De Niro, Ray Liotta e Joe Pesci, e Gran Torino (2008), de Clint Eastwood.
Fica ainda espaço para recomendar mais um James Bond, neste caso, o Goldfinger (1964), que é
seguramente um dos melhores.
domingo, 24 de fevereiro de 2013
Dia de Óscares
por David N.
Hoje é dia de Óscares. São os prémios mais
conhecidos do mundo do cinema, e são entregues pela Academia de Artes e
Ciências Cinematográficas, fundada em Los Angeles, Califórnia, em 11 de maio de
1927. Começaram em 1929 e vamos agora para a 85ª edição.
Comecemos pela categoria mais
importante, a de melhor filme. Este ano, tive o prazer de ver todos os nomeados
a melhor filme, e posso portanto comentar com rigor. Como 9 nomeados temos por
ordem alfabética Amour, Argo, Beasts of the Southern Wild, Django Unchained,
Les Misérables, Life of Pi, Lincoln, Silver Linings Playbook e Zero Dark
Thirty.
Há um mês atrás, Lincoln era o
sério vencedor e quase indiscutível, mas Argo, de Ben Affleck tem vindo a somar
prémios e a escalar em popularidade. Curioso nisto tudo, é que Ben Affleck nem
foi nomeado a melhor realizador pela academia, e por outro lado, foi o vencedor
dessa categoria nos Globos de Ouro, que se realizam sempre antes dos Óscares e
costuma funcionar como barómetro. Amour, certamente ganhará como melhor filme
estrangeiro, mas a meu ver, é um filme que benefecia de demasiado hype. Não é
nada por aí além, os actores arrastam-se durante todo o filme, e as
interpretações são passivas. Nem sei como pode Emmanuelle Riva estar na corrida
ao Óscar de melhor actriz. Argo foi uma feliz surpresa, pois não tinha qualquer
ideia concebida sobre o mesmo. É baseado numa história verídica, mas grande
parte é alterada, para maior magia no cinema. De notar que existe mérito, pois
Affleck pega numa história com pouca acção, e onde não existe qualquer revés,
ou seja, tudo corre pelo melhor sem problemas, mas agarra o espectador até ao
fim. Beasts of the Southern Wild também surpreendeu, porque é totalmente indie
e desconhecia quer o realizador, quer o elenco. Vale a pena nem que seja pela
fotografia, pela óptima interpretação da miúda e pela mensagem/argumento.
Django Unchained entreteve-me bastante e gostei, isto vindo de quem não costuma
gostar de Tarantino. Apesar das 2h30, o espectador não sente o tempo passar e é
sempre bom revisitar o mundo dos westerns, num filme com boas interpretações,
principalmente de Leonardo DiCaprio, que foi mais uma vez injustiçado, e não chegou a ser
nomeado. Les Misérables é bastante bom e as músicas ficam no ouvido, mas esse
mérito é do musical, no qual o filme se baseia e ao qual faz esta homenagem.
Life of Pi é um filme interessante, apesar de dividir o público quando ao
argumento, tal como tudo o que mete religião. As perguntas do entrevistador
parecem forçadas e o acting nestas partes parece saído de um filme de classe
inferior, mas a história principal é muito boa. Em termos visuais, também é
capaz de arrecadar alguns prémios. Lincoln é mais um filme político, o que pode
deixar alguns do lado de fora, mas se não se importarem com isso, tem uma boa
história com grandes interpretações que o prendem do lado de cá do ecrã, e uma
boa fotografia, o que torna menos duro as 2 horas e meia de visualização.
Silver Linings Playbook consegue entrar neste restrito top, apesar de ser uma
comédia/romance, porque não pega em 10 actores/actrizes conhecido(a)s e os
mistura numa trituradora com um argumento da treta. Sabe ter um argumento
semi-sólido, tem uma boa interpretação do Cooper, que mostra que ele é capaz de
mais do que a comédia simples e Hollywoodesca e a realização também não é má. Zero
Dark Thirty, a par do Amour, foi do mais enfadonho desta lista. Dura 2 horas e
meia, e só tem acção quase no último quarto de hora. Até lá, é um arrastar das
personagens de um lado para o outro, sem nunca criar qualquer tipo de ligação
emocional com o espectador, umas referências a tortura, e pouco mais. A Jessica
Chastain é a única coisa que o salva.
Na
de melhor realizador, temos Michael Haneke (Amour), Benh Zeitlin (As Bestas do
Sul Selvagem), Ang Lee (A Vida de Pi), Steven Spielberg (Lincoln) e David O.
Russell (Guia Para Um Final Feliz), e tudo indica que o vencedor seja Steven Spielberg, o que é merecido.
Para
melhor actor, temos Bradley Cooper (Guia Para Um Final Feliz), Daniel Day-Lewis
(Lincoln), Hugh Jackman (Os Miseráveis), Joaquin Phoenix (O Mentor) e Denzel
Washington (Decisão de Risco). Daniel Day-Lewis deverá ganhar sem espinhas.
Denzel Washington, 90% do público nem sabe como foi nomeado, pois o filme foi
um flop. Joaquin Phoenix e Bradley Cooper estão bons nos seus papéis, mas
talvez não chegue para levarem o boneco.
Para
melhor actor secundário, Alan Arkin (Argo), Robert de Niro (Guia Para Um Final
Feliz), Philip Seymour Hoffman (O Mentor), Tommy Lee Jones (Lincoln) e Christoph
Waltz (Django Libertado). Acho que o Óscar deveria ir para Tommy Lee Jones, o
mais merecedor, ou então para Seymour Hoffman. Contudo, o hype pelo filme do
Tarantino poderá fazer de Christoph Waltz o vencedor.
Para
melhor actriz, temos Jessica Chastain (00:30 A Hora Negra), Jennifer Lawrence
(Guia Para Um Final Feliz), Emmanuelle Riva (Amor), Quvenzhané Wallis (As
Bestas do Sul Selvagem) e Naomi Watts (O Impossível). A meu ver, deveria vencer
Jessica Chastain, pois esteve bem, e salvou o seu filme da monotonia. Riva não
sei o que aqui faz. Quvenzhané Wallis tem um bom papel, mas ainda é nova, e se
tiver qualidade, terá muitos anos para o provar e ganhar o Óscar daqui a uns
anos. Naomi Watts tem uma óptima interpretação, pelo que também se ganhasse,
não seria nenhuma surpresa.
Como
melhor actriz secundária, Amy Adams (O Mentor), Sally Field (Lincoln), Anne
Hathaway (Os Miseráveis), Helen Hunt (Seis Sessões), Jacki Weaver (Guia Para Um
Final Feliz). Eu apostaria em Anne Hathaway devido a ter encarnado muito bem a
personagem e como prémio por estar a desenvolver uma boa carreira, sendo uma
motivação para se manter em filmes sérios, e para não voltar aos filmes fáceis
de início de carreira com que se tornou popular.
Como
habitualmente, seguindo o alfabeto, hoje temos o 'F'. Assim sendo, será
incontornável não recomendar Fight Club (1999), com Brad Pitt e Edward Norton,
num brilhante filme. Fica ainda espaço para recomendar Forrest Gump (1994),
vencedor de 6 Óscares e From Russia with Love (1963), o segundo filme da saga
Bond e um dos melhores da mesma.
Em anexo segue a lista completa dos nomeados.
Melhor filme
Amor
Argo
As
Bestas do Sul Selvagem
Django
Libertado
Os
Miseráveis
A
Vida de Pi
Lincoln
Guia
Para Um Final Feliz
0:30
A Hora Negra
Melhor realizador
Michael
Haneke (Amour)
Benh
Zeitlin (As Bestas do Sul Selvagem)
Ang
Lee (A Vida de Pi)
Steven
Spielberg (Lincoln)
David
O. Russell (Guia Para Um Final Feliz)
Melhor ator
Bradley
Cooper (Guia Para Um Final Feliz)
Daniel
Day-Lewis (Lincoln)
Hugh
Jackman (Os Miseráveis)
Joaquin
Phoenix (O Mentor)
Denzel
Washington (Decisão de Risco)
Melhor ator secundário
Alan
Arkin (Argo)
Robert
de Niro (Guia Para Um Final Feliz)
Philip
Seymour Hoffman (O Mentor)
Tommy
Lee Jones (Lincoln)
Christoph
Waltz (Django Libertado)
Melhor atriz
Jessica
Chastain (00:30 A Hora Negra)
Jennifer
Lawrence (Guia Para Um Final Feliz)
Emmanuelle
Riva (Amor)
Quvenzhané
Wallis (As Bestas do Sul Selvagem)
Naomi
Watts (O Impossível)
Melhor atriz secundária
Amy
Adams (O Mentor)
Sally
Field (Lincoln)
Anne
Hathaway (Os Miseráveis)
Helen
Hunt (Seis Sessões)
Jacki
Weaver (Guia Para Um Final Feliz)
Melhor filme estrangeiro
Amor
(Aústria)
Kon-Tiki
(Noruega)
No
(Chile)
A
Royal Affair (Dinamarca)
War
Witch (Canada)
Melhor argumento adaptado
Chris
Terrio (Argo)
Lucy
Alibar e Benh Zeitlin (Bestas do Sul Selvagem)
David
Magee (A Vida de Pi)
Tony
Kushner (Lincoln)
David
O. Russell (Guia Para Um Final Feliz)
Melhor argumento original
Michael
Haneke (Amor)
Quentin
Tarantino (Django Libertado)
John
Gatins (Decisão de Risco)
Wes
Anderson e Roman Coppola (Moonrise Kingdom)
Mark
Boal (00:30 a Hora Negra)
Melhor filme de animação
Brave
- Indomável
Frankenweenie
ParaNorman
Os
Piratas
Força
Ralph!
Melhor fotografia
Seamus
McGarvey (Anna Karenina)
Robert
Richardson (Django Unchained)
Claudio
Miranda (A Vida de Pi)
Janusz
Kaminski (Lincoln)
Roger
Deakins (007-Skyfall)
Melhor guarda roupa
Jacqueline
Durran (Anna Karenina)
Paco
Delgado (Les Misérables)
Joanna
Johnston (Lincoln)
Eiko
Ishioka (Espelho Meu Espelho Meu)
Colleen
Atwood (Branca de Neve e o Caçador)
Melhor documentário (longa metragem)
5
Broken Cameras
The
Gatekeepers
How
to Survive a Plague
The
Invisible War
Searching
for Sugar Man
Melhor documentário (curta metragem)
Inocente
Kings
Point
Mondays
at Racine
Open
Heart
Redemption
Melhor montagem
William
Goldenberg (Argo)
Tim
Squyres (A Vida de Pi)
Michael
Kahn (Lincoln)
Jay
Cassidy e Crispin Struthers (Guia Para Um Final Feliz)
Dylan
Tichenor e William Goldenberg (00:30 A Hora Negra)
Melhor caraterização e cabelo
Howard
Berger, Peter Montagna e Martin Samuel (Hitchcock)
Peter
Swords King, Rick Findlater e Tami Lane (O Hobbit: Uma Viagem Inesperada)
Lisa
Westcott e Julie Dartnell (Os Miseráveis)
Melhor banda sonora original
Dario
Marianelli (Anna Karenina)
Alexander
Desplat (Argo)
Mychael
Danna (A Vida de Pi)
John
Williams (Lincoln)
Thomas
Newman (007-Skyfall)
Melhor canção
original
"Before
My Time" (Chasing Ice)
"Everybody
Needs A Best Friend" (Ted)
"Pi's
Lullaby" (A Vida de Pi)
"Skyfall"
(007-Skyfall)
"Suddenly"
(O Miseráveis)
Melhor design de produção
Anna
Karenina
O
Hobbit: Uma Viagem Inesperada
Os
Miseráveis
A
Vida de Pi
Lincoln
Melhor curta metragem de animação
Adam
and Dog
Fresh
Guacamole
Head
over Heels
Maggie
Simpson in "The Longest Daycare"
Paperman
Melhor curta metragem
Asad
Buzkashi
Boys
Curfew
Death
of a Shadow (Dood van een Schaduw)
Henry
Melhor montagem sonora
Erik
Aadahl e Ethan Van der Ryn (Argo)
Wylie
Stateman (Django Libertado)
Eugene
Gearty e Philip Stockton (A Vida de Pi)
Per
Hallberg e Karen Baker Landers (007-Skyfall)
Paul
N.J. Ottosson (00:30 A Hora Negra)
Melhor mistura sonora
John
Reitz, Gregg Rudloff e Jose Antonio Garcia (Argo)
Andy
Nelson, Mark Paterson e Simon Hayes (Os Miseráveis)
Ron
Bartlett, D.M. Hemphill e Drew Kunin (A Vida de Pi)
Andy
Nelson, Gary Rydstrom e Ronald Judkins (Lincoln)
Scott
Millan, Greg P. Russell e Stuart Wilson (007-Skyfall)
Melhores efeitos visuais
O
Hobbit: Uma Viagem Inesperada
A
Vida de Pi
Vingadores
Prometheus
Branca
de Neve e o Caçador
domingo, 17 de fevereiro de 2013
Odisseia
por Inês D.
Estreou no
início deste ano na RTP uma nova série de ficção de produção nacional. Escrito
por Tiago Guedes, Bruno Nogueira e Gonçalo Waddington, conta com estes dois
atores como protagonistas de uma viagem pelo país numa autocaravana, filmada no
verão de 2012. É descrito pelos próprios como “uma série sobre pessoas que
estão a tentar fazer uma série”; conta duas narrativas cruzadas: a dos dois amigos
numa viagem sem rumo definido e aquela que pretende ser a documental sobre a
conceção e realização da série. Não faltam interrupções e comentários dos autores
ao próprio texto ou os bloopers
incluídos no seguimento das cenas. Conta ainda com participação regular de Nuno
Lopes, de Carla Maciel, mulher real e ficcional de Gonçalo, Miguel Borges e
muitas participações especiais, com destaque para a enorme Rita Blanco no 4º episódio.
Confesso que,
a princípio, não estava com vontade de ver este novo programa. Não tenho o
hábito de ver televisão em tempo de aulas e, além disso, pensei que esta
série seguiria os mesmos moldes de outras que têm passado pela estação pública.
Mas, curiosa com críticas que fui lendo após a estreia, e graças à RTP PLAY,
decidi-me a ver de que se tratava. E a verdade é que fiquei muito bem
impressionada. Algures entre o drama e a comédia, Odisseia destaca-se e
distancia-se de todas as que pude ver até agora. Não sei o que esperar em cada
episódio e o fim de cada um deles deixa-me desejosa de mais.
À semelhança
de Último a Sair, Bruno Nogueira
e companhia conseguem trazer até nós uma série original, que parece pensada ao
milímetro para surpreender, confundir e dividir opiniões. Muitos têm elogiado a
série e escrito sobre a lufada de ar fresco que apareceu na grelha da RTP e no
humor nacional, tantos quantos os que têm escrito e fundamentado o quanto
odeiam o programa. Na minha opinião, o texto é bom e este tipo de comédia de
situação é particularmente divertido – bom humor a surgir do drama; gosto de
ser surpreendida e Odisseia está repleto de momentos inesperados e pequenos
detalhes muito inteligentes; tudo está muito bem filmado e editado (falamos do
realizador de Coisa Ruim) e
conta com seguras interpretações de Gonçalo, Bruno e Nuno Lopes.
Por esta altura, já
toda a série foi escrita, filmada e montada e os (à data em que escrevo) 8
episódios que ainda faltam ser transmitidos não sofrerão alterações. Resta-me
aguardar pelos próximos capítulos e esperar que não me façam arrepender das
linhas elogiosas escritas acima. A ficção nacional precisa de (esta) qualidade.
Todos os
programas estão disponíveis no sítio da RTP em http://www.rtp.pt/programa/episodios/tv/p29649.
sexta-feira, 30 de novembro de 2012
6 Das Piores Manias Que Andam A Arruinar O Cinema
por Jorge Diniz
Fonte: WhatCulture
O cinema já não é o que era!- grita um senhor a passar num cinema.
E quantas vezes já não ouvimos isto ou pensamos o mesmo? Pois bem, deixo-vos aqui 6 das piores modas que os estúdios e produtores andam a impingir no cinema actual.
Adaptar Os Filmes Às Classificações
Não é das coisas que, pelo menos, o publico português tenha muito em conta, no entanto quando o filme é adaptado às classificações impostas pelos direitos dos estúdios e estatais há uma implicação quem vai muito além das restrições de idades.
O quão frustrante é saber que um franchise de que se gosta tem direito a uma nova cena e, no entanto, essa cena tem que ser cortada para manter o filme com uma classificação de menores de 12 anos (PG-13 nos EUA)? Existem muitíssimos casos em que isto acontece e o filme é enfraquecido; casos em que existe violência a mais para os ‘censores’ ou linguagem imprópria que pode ferir as susceptibilidade dos que as receiam ouvir, num filme para o qual pagar para ver...
Felizmente existem as versões de realizador ou as un-cut que mais tarde aparecem em DVD ou Blue-Ray e lá nos revelam o ‘proibido’.
Mercados-Alvo
Esta é das modas que mais se manifestam cada vez que a vimos.
Destacam-se, principalmente, em filmes de acção onde os realizadores escolhem o lugares das películas: o estrangeiro, na tentativa de apelar aos mercados de cinema em expansão. Um recente exemplo foi o Missão Impossível: Operação Fantasma e A Hora Mais Negra os quais se passam parcial ou totalmente na Rússia, um mercado que tem vindo a crescer nos últimos anos.
Pelo que se tem ouvido, é de esperar que muitos dos próximos filmes de acção seguiam por este caminho. Não sendo das coisas piores que os cineastas possam fazer, nota-se que é forçado e desnecessário ao enredo, o que chega a ser desassossegador.
Prequelas
Ao que parece Hollywood anda aficionada com as prequelas. “Descubra como o horror começou”, dizem-nos enquanto nos apresentam a origem da história de, por exemplo, O Silêncio dos Inocentes ou Halloween. Mas é mesmo necessário informarem-nos isso?
Estas espécies de prequelas tiram o mistério todo aos originais e, na maioria dos casos, desenvolvem histórias e explicações terríveis que de certa forma arruínam a nossa memória das películas originais.
-Então mas não é o filme que estreou o ano passado? – Os Reboots
Quem não ficou surpreendido quando apresentaram o recente filme do Homem-Aranha como um novo e não como o Homem-Aranha 4?
Mesmo com as negociações falhadas com Tobey Maguire e Sam Raimi para a continuação do franchise seria mais sensato contratarem um novo Peter Parker ao invés de nos contarem de novo ao inicio da história. 10 anos depois da versão (tristinha) de Sam Raimi dão-nos O Fantástico Homem-Aranha que não passou de mais uma estreia com pouco sumo. E não se esqueçam do Hulk de Ang Lee (2003) e o outro Hulk de Louis Leterrier (2008), por exemplo.
É uma mania terrível que sugere que ou as audiências são idiotas com falta de memória ou os estúdios pensam que somos idiotas com falta de memória.
Remakes, remakes, remakes!!
Estão em todo lado. Em Hollywood quero dizer. O principal problema que a industria americana tem com os remakes é a forma como o fazem; não tentam sequer refazer filmes que valham a pena ser refeitos. Pegam num filme popular dos anos 70 ou 80, esperando explorar uma nova geração ignorante que nunca ouviu falar do filme original. Na maioria das vezes funciona, financeiramente falando. O problema agrava-se quando os estúdio decidem refazer filmes que são um portento do seu tempo. Os tempos eram outros e no nosso cenário contemporâneo agravam-se os problemas, já que os originais não foram produzidos para estes tempos.
3D
Quando o 3D é bom, ele é bom! Em quase todos os filmes de animação e Avatar (segundo a critica), não se faz muito caso da experiência e nota-se o empenho e dedicação em que os cineastas têm em procurar surpreender a audiência.
O mesmo não acontece com o 3D pós-convertido que é apressadamente introduzido na pós-produção do filme; e os estúdios fazem mais um dinheirinho. Quantos filmes já não assisti e fui obrigado a tirar os óculos 3D dado que a imagem com e sem óculos era quase a mesma. É o resultado de fraca qualidade da pós-conversão. Um processo que habitualmente demora meses mas que para muitos é enfraquecido por razões de agenda.
(In)Felizmente, o número de filmes de que se aproveita o 3D são poucos, o que espelha a ganância e/ou preguiça dos estúdios.
Esperemos que mais tarde ou mais cedo este acontecimento se torne raro e que seja usado com toda perfeição em filmes em que realmente lhes ‘fique bem’.
Fonte: WhatCulture
terça-feira, 27 de novembro de 2012
Três pequenos rebuçados
por Isabel Chalupa
Hoje optarei por um artigo diferente. Distinto das usuais interrogações e especulações, distinto da habitual crítica ao estado actual da cinematografia contemporânea. Hoje analisarei muito curtamente alguns dos meus filmes favoritos. Três obras leves e divertidas, todas baseadas em sucessos da literatura, que deixarão toda a gente um pouco mais feliz.
Stardust – O Mistério da Estrela Cadente (Stardust) – Stardust
Tristan Thorn (Charlie Cox) é um jovem habitante da aldeia de Wall, cujo muro (wall) separa o nosso mundo do mundo mágico. Um dia, quando Victoria (Sienna Miller), a rapariga de quem ele gosta, lhe promete a sua mão em casamento em troca de uma estrela que acabou de cair, Tristan parte na direcção do outro lado do muro em busca do precioso objecto que deseja levar à sua amada. Porém, esta estrela não é bem o objecto de metal morto que se poderia pensar...
Michelle Pfeiffer e Robert De Niro são os nomes mais sonantes de um elenco recheado de estrelas, entre elas Claire Danes, Ricky Gervais, Mark Strong, Peter O’Toole e Ben Barnes. Porém, os pontos fortes deste filme não se ficam pelos actores... Com uma história diferente e muito original, afastando-se correctamente da obra que lhe empresta a premissa e efeitos especiais de grande qualidade, Stardust revela-se uma surpresa extremamente agradável, especialmente para aqueles que leram o livro anteriormente – e que, como eu, o consideraram muito fraco.
A banda sonora está fabulosa e a Fotografia dá o maravilhoso tom de fantasia ao filme. A química entre Danes e Cox é brilhante, Pfeiffer tem um dos papéis da sua vida, De Niro tem uma performance absolutamente fantástico e Strong faz aquilo em que é melhor: desempenha um vilão. No seu todo, um filme muito doce, criativo e divertido, que nos deixa muito bem-dispostos e nos faz acreditar no amor mais uma vez... O meu filme preferido.
A Vida Num Só Dia (Miss Pettigrew Lives for a Day) – Miss Pettigrew Lives for a Day
Seguindo o tom mais leve com que iniciei este grupo de análises, parto para a história de Miss Guinevere Pettigrew (Frances McDormand), uma governanta que salta de despedimento em despedimento à velocidade da luz. Quando se vê uma vez mais no olho da rua, avista aquela que pode ser a sua derradeira oportunidade: arrecada um trabalho originalmente atribuída a uma colega, julgando tratar-se de mais um trabalho de ama-seca. Porém, está redondamente enganada: a extravagante cantora Delysia Lafosse (Amy Adams) precisa de uma “secretária social” e, fascinada com Miss Pettigrew, contrata-a no momento. Assim, a preceptora de meia-idade é arrastada para o mundo da alta-sociedade, sendo que terá de proteger a excêntrica e ingénua Miss Lafosse dos três homens que a rodeiam (Lee Pace, Mark Strong e Tom Payne) e a si própria dos encantos de Joe (Ciarán Hynds) e da sua venenosa noiva Edythe (Shirley Henderson).
Os nomes deste elenco são (quase) todos pesos-pesados do cinema, uns mais especializados em certos papéis que outros e todos nas personagens que lhes são mais indicadas. Amy Adams está fabulosa (como sempre, aliás), assim como Frances McDormand, num papel diferente das habituais loucuras e que a distingue como uma actriz de eleição. O quadrado amoroso que amarra Delysia está muito bem conseguido, com o falido Michael (Pace), o mulherengo Phil (Payne) e o vilanesco Nick (Strong) a envolverem-se numa dança impecavelmente musicada que nos fascina e nos mantém presos do início ao fim.
Na outra faceta do filme, um romance mais maduro entre Miss Pettigrew e Joe, que reflectem, juntamente com todos nós, sobre a guerra e a forma como esta fascina os jovens que nunca conheceram o seu horror. Pelo meio, um maravilhoso momento musical protagonizado por Adams e Pace (If I Didn’t Care) e uma fotografia que se adapta aos diversos momentos do filme. A Vida Num Só Dia é uma obra cujo potencial cómico não se insere em insignificantes piadas, mas nas situações que vivemos lado a lado com as suas personagens, que nos cativam e enfeitiçam no seu mundo cheio de vida, brilho e cor e de uma humanidade imensa.
Ela é Fácil (Easy A) – The Scarlett Letter
Olive Penderghast (Emma Stone) é uma rapariga pouco social de peito de tamanho abaixo da média e com uma inteligência impressionante. Desenganem-se: esta não é mais uma história de adolescentes preteridos que se sentem invisíveis neste mundo hierarquizado com base na popularidade de cada um. Não. Esta é a história da falsa história criada acerca da perda de virgindade de Olive para um rapaz da Universidade – e de como a própria conseguiu baralhar-se o suficiente para tornar uma pequena mentira num rumor de proporções épicas. E para isso, contou com a “ajuda” da amiga Rhiannon (Aly Michalka), da ultra-religiosa Marianne (Amanda Bynes), do amigo Brandon (Dan Byrd) e da conselheira educativa (Lisa Kudrow) e com o auxílio sincero de Todd (Penn Badgley), do seu professor favorito (Thomas Hayden Church) e dos pais loucos mas com um coração enorme (Stanley Tucci e Patricia Clarkson).
Easy A é Emma Stone. Tucci, Clarkson, Badgley, Michalka, Byrd, Kudrow e Hayden Church são um elenco secundário excelente capaz de elevar a sua protagonista, todos comicamente fortíssimos e com grande carisma. Contudo, a actriz principal é a grande estrela do filme, que se apoia inteiramente no seu enorme talento, química com todos os outros actores e cativante presença no ecrã. Esta obra é o exemplo perfeito de como se pode usar músicas actuais e que no entanto servem como contraponto ideal à imagem. O argumento inteligente e recheado de referências deliciosas complementa muito bem a grande interpretação de Emma Stone e a realização personalizada acerta em todos os momentos do filme.
Em suma, Easy A é uma obra dos tempos modernos que olha com nostalgia para os tempos passados. Uma homenagem aos grandes sucessos teen dos anos 80 realizados por John Hughes, este filme agradará a jovens e adultos em partes iguais. Com um elenco secundário de luxo e, claro, uma protagonista estelar, é uma película a não perder. Genial!
Três filmes absolutamente obrigatórios para quem gosta de se sentir bem. Três histórias baseadas em obras literárias que se tornaram sucessos imediatos junto da crítica e do público em geral. Três sorrisos. Três comédias. Três amores. Três mundos distintos que nos invadem e nos encantam e nunca mais nos deixarão ser os mesmos. Para ver e rever. E rever e rever e rever...
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