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quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Uma questão de estilo: a glória de Gangnam


por Sofia Livro Noronha

Há uns dias atrás, embalada pelo monótono zapping entre canais, dei por mim a parar num ao qual já não dedico a minha atenção há uns anos acrescentados. Apesar de ter sido uma espectadora fiel da MTV durante grande parte da minha adolescência, hoje em dia consigo contar pelos dedos das mãos as vezes em que, numa breve passagem por lá, me deparei com música. Ora, o dia de que vos falo foi pontuado por um desses raros momentos. Surpresa, decidi voltar atrás e dar mais uma oportunidade ao canal de que outrora fui fã, mas rapidamente questionei se tinha mesmo contemplado o milagre. É que a música que estava a passar era o Gangnam Style, que fica assim a meio caminho.


Antes que comecem a pensar que estou aqui a almofadar um discurso de ódio direccionado, importa explicar por que considero que o seu sucesso tem a ver com muita coisa exterior à música.

Embora o nome de PSY (nome artístico de Park Jae-Sang) só tenha sido ouvido pelo mundo ocidental quando os ecos de Gangnam Style começaram a soar, o cantor e rapper sul-coreano não é um estreante na indústria. Tem já seis álbuns editados e uma carreira de sucesso no seu país natal.


Quando lançou o este single, nada seria capaz de prever o estrondoso sucesso que alcançaria. Chegou mesmo a suplantar a popularidade de Justin Bieber no YouTube, ao ultrapassar o milhar de milhão de visualizações a 16 de Janeiro deste ano. Tudo parece ainda mais improvável quando se tira um pouco de tempo para entender o que é, de facto, o Gangnam Style.

Gangnam é o nome de um distrito rico de Seul, a capital da Coreia do Sul, e o alvo de chacota da música de PSY. Em Gangnam, vivem aquelas que se consideram pessoas de alta sociedade, nomeadamente novos ricos que tentam desesperadamente integrar-se. Gangnam tem sido várias vezes comparado a Beverly Hills, estado da Califórnia, nos EUA.


De Gangnam para o mundo, o YouTube tem sido indicado como o principal responsável pela popularidade da música. Estamos já familiarizados com o poder deste canal no que diz respeito a fenómenos de popularidade que se estendem para lá da internet, como é o caso de Justin Bieber. E quem fala no cantor canadiano pode também nomear fenómenos estranhos e completamente aleatórios, como o Nyan Cat, o gato com corpo de poptart que navegava pelo universo, o Mr. Trololo, o barítono russo Eduard Anatolyevich Khil numa performance dos anos 70, ou mesmo Rebecca Black, que transformou Friday na música de chacota de todas as Sextas-Feiras. Uma coisa todos eles parecem ter em comum: tendem a pisar a fronteira entre o que o público em geral odeia e adora. Ou, melhor, são aquilo que o público adora odiar.



Gangnam Style tem tudo para se tornar num vídeo viral. Senão vejamos...

Em primeiro lugar, segue a mesma estratégia da Macarena, hit dos anos 90, ao reproduzir uma dança que toda a gente consegue fazer e imitar pelas festas de todo o mundo sem se preocupar em parecer ridículo porque, de qualquer forma, a dança é já um pouco ridícula por si própria.

Como não podia deixar de ser, reveste-se de um ritmo catchy, com uma batida que fica no ouvido, poucas variações e uma melodia pobre em harmonias.

O facto de não se entender a letra é, na minha opinião, uma grande vantagem, porque não distrai o ouvinte nem o faz questionar o que está a ser dito. Mesmo que esteja a papaguear uma série de disparates, o que interessa mesmo é a diversão e o ritmo.

Recorre ainda a algo que todos adoramos fazer, que é rir da troça que se faz dos outros, que vivem de maneira diferente. Lá de vez em quando, lá cedemos à mesquinhez de dizer “Oh, que ridículos que eles são!”



Gangnam Style poderia ser uma prova de que é possível fazer sucesso mundial sem se ter um contrato chorudo com uma produtora e sem se ser americano. Poder-se-ia pensar que esta tendência dos fenómenos do YouTube se estenderem muito para além da internet constitui uma grande vantagem para artistas emergentes um pouco por todo o mundo. Numa onda ainda mais optimista, poderíamos pensar que seria o princípio da descentralização dos grandes hits anglo-saxónicos. Mas penso que é demasiado cedo para falar disso.

Apesar de ter nascido na Coreia do Sul, não há nada no vídeo que se descole dos padrões de estilo jocoso dos LMFAO, por exemplo. Penso que, no final de contas, Gangnam Style acaba por ser mais um pedaço da fórmula americana de uma música de sucesso, com a particularidade de ser cantada noutra língua.



Sou levada a pensar que, no final de contas, a brincadeira do Gangnam Style fez a derradeira paródia de todo o mundo. Mas também acho que PSY não merece ser motivo de chacota ou desprezo por parte da indústria musical. Se dermos uma olhadela rápida aos últimos anos, recheados de músicas com letras sem sentido e artistas que se esticam (literal e não literalmente) até o limite, na tentativa de chocar mais, ou chamar mais a atenção do que o artista do lado, este fenómeno não me parece nada descabido. Desafio-vos mesmo a comparar a letra do Gangnam Style com o último hit de Christina Aguilera, Your Body (tentem a versão não censurada), ou a riqueza musical do single de PSY ao dos LMFAO, Sexy and I Know It. É um clássico caso de “descubra as diferenças”.

Pronto, está bem, talvez até tenha assistido ao milagre de ver e ouvir música na MTV. E, embora continue a saber-me a pouco, tenho de aceitar que a música já não sobrevive só de melodias e de bons músicos. Continua só a custar-me que esses dois factores basilares contem cada vez menos.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

The Weatherman


por Rodrigo de Sá

Assumindo o nome The Weatherman, acaba de editar oficialmente o seu terceiro álbum. Desta vez com o nome The Weatherman.

Apesar de assumir que The Weatherman é um trabalho a solo, Alexandre Monteiro não esconde que este álbum é o resultado de um trabalho colectivo. E o resultado é um álbum pop muito bem pensado e concretizado. Canções como 15 Days, Fab e Proper Goodbye têm refrões de encher as orelhas, mas também a alma. 

Com arranjos e orquestrações de excelência, e apesar de o músico do Porto tocar vários instrumentos, as canções de The Weatherman são compostas ao piano. Ainda assim este álbum apresenta a sua face ecléctica no que diz respeito às suas influências. Maioritariamente referências musicais do pop britânica dos anos 80, mas também alguma música americana.

Alexandre Monteiro confessa no entanto que não gostaria de ter sido músico nos anos 80 sobretudo por causa das roupas e dos penteados. Antes preferia ter vivido nos anos 60 não como músico, mas como alguém que assistia ao aparecimento de grandes referências da música pop e rock.



A preparação para o lançamento do álbum fez-se primeiro com a divulgação do vídeo de Proper Goodbye, o tal vídeo em que o músico desaparece no espaço num foguetão, proporcionando assim um momento de espectacularidade no momento de despedida. Não é uma alusão ao facto de querer levar a sua música para fora de Portugal, até porque Alexandre Monteiro está mais preocupado neste momento em promover a sua música nacionalmente. A ideia é mesmo fazer de um momento triste, o da despedida, algo inesquecível. A segunda fase de promoção do novo álbum surgiu alguns dias antes da sua edição oficial, com a possibilidade de transferência gratuita da canção Fab. A transferência desta canção dá direito também a uma outra canção exclusiva não incluída em nenhum álbum anterior ou no álbum de 2013.




The Weatherman é um álbum para tocar nas rádios comerciais e nas rádios alternativas. Mas é sobretudo mais do que motivo para cada vez mais pensarmos no que se faz cá dentro. A língua? Ninguém se queixou quando há uns anos uma conceituada vocalista que levou a sua voz até ao Japão, decidiu gravar um álbum de bossa nova cantando com sotaque do português do outro lado do Atlântico. 

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Já se ouve o Natal


por Eugénia Melo


Mesmo a calhar nesta altura do ano, hoje venho partilhar um texto simples sobre a época natalícia.

O que pretendo abordar é a maneira como a música vem influenciar o espírito natalício e, realmente, o que seria o Natal sem as suas músicas tão características?

Não é possível imaginar o Natal sem música!

Acho extremamente engraçado o facto de as músicas serem sempre as mesmas, mas independentemente disso há cada vez mais cantores a interpretá-las de maneiras novas e lindíssimas. Todos os anos é possível ouvir uma versão nova e brilhante do básico “Jingle Bells”.

Outra vantagem de serem sempre as mesmas é que permite que toda a gente à volta do globo possa cantar e partilhar o espírito de Natal. É possível ouvir o “Jingle Bells”, “Silent Night”, “White Christmas”, “Santa Claus is coming to town” em quase todas as línguas do mundo!

Isto simboliza que todo o mundo pode estar em harmonia, independentemente de todas as diferenças que nos distanciam, há sempre esperança numa verdadeira Paz Mundial.

Passando para um plano mais casual há que admitir que não seria a mesma coisa ir comprar presentes para quem gostamos e as lojas não terem músicas de Natal, e se formos beber um chocolate quente com os amigos a um café que não tem música de Natal, garanto que não terá o mesmo sabor.

Estas músicas aquecem-nos o espírito, talvez porque crescemos a ouvi-las todos os anos, porque nos trazem imensas recordações, porque já fazem parte de todo o conceito e ambiente de Natal em que fomos habituando a viver, mas de qualquer das maneiras é tão familiar e alegre. Acredito sinceramente que o que realmente importa é que a música nos une, e para você que está a ler este texto não se limite só a ouvir, mas cante também, mesmo que desafine, porque tal como dar uma prenda, ao cantar uma canção, o que conta é a intenção. 

Sendo o meu último texto antes do Natal ficam já os votos de
Boas Festas, com muita música!

Álbuns aconselhados:
Michael Bublé – Christmas Album (2011)
Andrea Bocceli – My Christmas (2009)
Diana Krall - Christmas Songs (2005)
Elvis Presley – White Christmas (2000)

Novidades deste ano, ainda não os ouvi, mas não creio que vão dececionar:
André Rieu – December Lights (2012)
Rod Stewart – Merry Christmas Baby (2012)

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

A (pouco convencional) lista de Natal

por Sofia Livro Noronha


Não vos vou esconder que adoro o Natal. Acho que é a única altura do ano em que para mim faz sentido conjugar sentimentos quase contraditórios, como melancolia e alegria, conforto e inconformidade, medo e confiança.

De qualquer modo, acredito que já vos tenham tentado vender o Natal de variadas formas, portanto, não é isso que pretendo fazer.

Lá em casa temos um problema: por mais anos que passem, eu não me consigo fartar das típicas músicas de Natal que se ouvem a todo o lado, a toda a hora. Sabem quais são. Vão desde a lembrança de que o Pai Natal chega (Santa Claus is Coming to Town), de que os sinos tocam (Jingle Bells) e de que neva, não em todo o lado, mas pelo menos nos anúncios da Coca Cola (Let It Snow, Frosty, the Snowman, Sleigh Ride).
Os restantes membros da família já não são assim tão incansáveis quanto eu. Por isso, todos os anos faço um esforço para variar um bocadinho a banda sonora e procurar coisas que a mim me continuem a saber a Natal e a eles não lhes cause incómodo. Este ano, decidi partilhar a pequena “lista” que fui construindo, resultado de alguns Natais de procura e reflexo de tempos bem passados.

Fiz uma selecção de 12 músicas, em alusão aos 12 dias de Natal. Procurei não ficar colada às versões modernas de músicas antigas, mas sim basear-me em músicas completamente "novas" ou, pelo menos, não tão sonantes aos nossos natalícios ouvidos.

1. Did I miss it?, James Newton Howard


A lista começa com uma "aquisição" mais ou menos recente. Todos os anos, pelo Natal, costumo assistir, maravilhada, aos espectáculos do Cirque Du Soleil (pela televisão, claro está), pelo que a associação talvez venha daí. Apesar de o Water for Elephants ter estreado em Maio e não ser uma obra prima fantástica, é um daqueles filmes que conta com uma banda sonora que vale a pena ouvir. Juntei o encanto do circo à magia do James Newton Howard e adoptei-a como música de Natal!

2. Hey guys! It's Christmas Time, Sufjan Stevens

"There's your father with his pipe
He says it's Christmas time
He might let us stay up all nigh
tBecause it's Christmas time


I might wish you all the best

Because it's Christmas time
I might kiss you on the back of your neck
Because it's Christmas time"



Conhecem-no provavelmente à custa de Chicago, do álbum de 2005, Illinois. Na verdade, o multi-instrumentista Sufjan Stevens parece estar tão à vontade no departamento das músicas de Natal que este ano lança Silver & Gold, o segundo set de músicas festivas, em 5 EPs. É do primeiro conjunto de cinco volumes, Songs for Christmas, de 2006, que consta a música que escolhi. É curioso que este primeiro conjunto de músicas seja o resultado da junção de prendas de Natal de Sufjan para os seus amigos mais próximos. Já imaginaram receberem, pelo Natal, uma música só para vocês? Original, não é?

3. Baby come find me at Christmas, Rachel Yamagata

"Baby, come find me at Christmas
When the trees are sleeping
When the starry sky makes the snow gleam
And we’ll start it all over again"


As músicas natalícias mais recentes parecem ter uma inclinação para classificar esta como uma época perfeita para reacender paixões antigas. Rachel confirma a tendência com o apelo "Come find me at Christmas", de 2010. Com uma melodia simples e interpretação enternecedora, a cantora americana convence-nos de que, apesar de já não termos idade para acreditar no Pai Natal, talvez não seja tarde para acreditarmos noutras coisas.

4. St. Patrick's Day, John Mayer

"In the dark, on the phone
You tell me the names of your brothers
And your favorite colors
I'm learning you
And when it snows again
We'll take a walk outside
And search the sky
Like children do"



Não, não é nenhum engano. Bem sei que o St. Patrick's Day é só em Março, e o John Mayer também o deve saber. No que toca a novas paixões de Inverno, John não se contenta em saber que durarão a quadra, mas espera que durem, pelo menos, até ao St. Patrick's Day. A música é a última faixa de Room For Squares, de 2001, o mesmo que o lançou com Your Body is a Wonderland. Talvez seja discutível se esta é realmente uma música de Natal, mas acho que transmite um sentimento de esperança tão genuíno e pinta quadros tão acolhedores que se justifica que faça parte desta lista.

5. A Winter's Tale, Queen
"So quiet and peaceful 
Tranquil and blissful 
There's a kind of magic in the air 
What a truly magnificent view 
A breathtaking scene 
With the dreams of the world 
In the palm of your hand"


Os Queen não são esquecidos nesta lista de Natal. A Winter's Tale faz parte do álbum Made in Heaven, de 1995, lançado após a morte de Freddie Mercury. A canção chegou a estar em 6º lugar nos tops do Reino Unido e transmite um sentimento algo místico e uma visão absolutamente encantadora de um mundo que parece ter parado e entrado num sonho, só por uns instantes.

6. A change at Christmas (Say it isn't so), The Flaming Lips

"And the world embraces peace and love and mercy
Instead of power and fear
And as sure as I'm standing here
I swear it really does appear that a change comes over us"





7. Maybe this Christmas, Ron Sexsmith

"Maybe this Christmas will mean something more
Maybe this year love will appear
Deeper than ever before
And maybe forgiveness will ask us to call
Someone we love
Someone we've lost
For reasons we can't quite recall"




8. A Heart To Hold You, Keane

"When you're lonely and sad
If you think of the times we had
Just the thought
Will bring you back to me
Seen you staring in to space
Shadow falling across your face
But it won't take long to get to you
Whatever you do"



9. Merry Christmas Everybody, Slade

"Are you waiting for the family to arrive?
Are you sure you got the room to spare inside?
Does your granny always tell ya that the old songs are the best?
Then she's up and rock 'n' rollin' with the rest"



10. Red Ribbon Foxes, A Fine Frenzy

"For love doesn't come in boxes
Nor truth in a crowded shop
Those red ribbon foxes are not so easy caught
But the search it never stops"



11. Christmas Time is Here, Charlie Brown

"Snowflakes in the air
Carols everywhere
Olden times and ancient rhymes
Of love and dreams to share"



12. The Christmas Waltz, She & Him

"It's that time of year when the world falls in love
Every song you hear seems to say
Merry Christmas
May your new year's dreams come true."


Sim, sim, eu sei que tinha prometido que não ia incluir versões novas de músicas antigas mas, neste caso, não resisti.
A encerrar a lista estão os She & Him, o duo formado por Zooey Deschanel e M.Ward. Três anos depois de lançarem o seu primeiro álbum, Volume One, lançam A Very She & Him Christmas em 2011, que abre precisamente com esta adaptação do original de 1958, que nos chegou na voz de Frank Sinatra. Representa uma época que, gradualmente, foi subtraindo o teor cristão às músicas de Natal e abraçando novas maneiras de viver esta época festiva.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

No meu Natal, a música é outra


por Rodrigo de Sá



Devido à minha actividade profissional e voluntariado radiofónico, no final de Outubro, início de Novembro já ouvi mais música de Natal, do a grande maioria das pessoas que conheço.  Por este facto, todos os anos procuro comprar um ou dois álbuns de Natal, em que os artistas, gravando originais ou versões de clássicos, fogem aos padrões cansativos de música natalícia: Coros de crianças, sinos e guizos, glórias e aleluias com vozes angelicais ou em falsetes.

Apesar disto, as guitarras desenfreadas, baterias ensurdecedoras e as vozes em tons extremos, nem sempre me caíram bem no que diz respeito a música de Natal. Muitas das vezes porque achava que o artista não estava a fazer aquilo a sério. Mas, no caso dos My Chemical Romance, o que senti quando ouvi pela primeira vez a sua versão de All I Want for Christmas is You, original de Mariah Carey, tendo como co-autor Walter Afanasief, foi que recriaram o tema de forma a fugir ao original, mas não foram muito mais além do que tornar a sua versão uma canção séria, e como se de facto tivesse sido originalmente gravada pelos próprios.

Entre muitas outras canções e álbuns que até ao Natal irei descarregar a partir de páginas que oferecem música de forma legal, há dois indispensáveis para adicionar à colecção de música de Natal.

IMAGEM: ISN’T THE WORLD ENOUGH

Isn’t The World Enough?? A Nettwerk Christmas, não é apenas uma compilação de canções de Natal. É uma forma muito diferente e requintada de celebrar o Natal com artistas ligados à Nettwerk, editora canadiana, que embora tenha uma forma de lidar com os seus artistas semelhante a editoras independentes, esta editora é na realidade uma multi-nacional.


Entre clássicos, originais e gravações nunca antes editadas, encontram-se artistas como os fun. (Belive In Me, original), Sixpence Non The Richer (Angels We Have Heard on High), Great Lake Swimmers (Hang A String Of Lights, original e primeira edição), ou Family of the Year (OMG It’s Christmas, original) e Admiral Fallow (Isn’t This World Enough, original). E um final arrepiante por Aliqua (Christmas Angel, original que nos faz sentir muito bem em voltar a ouvir os tais arranjos vocais para várias vozes nas canções de Natal).

IMAGEM - SILVER & GOLD

Sufjan Stevens, nascido a 1 de Julho de 1975, em Detroit, estado do Michigan, é co-fundador da editora Asthmatic Kitty, o outro fundador é o seu padrasto. Este artista é um simpático. Ultimamente ouve-se falar dele devido ao seu trabalho anual em gravar um e.p. de Natal, com originais e versões de clássicos. E depois de tempos em tempos, junta todo o material e edita uma caixa em que mistura tudo o que tem gravado. No entanto, e apesar a de para muitos o Natal não fazer sentido sem Sufjan Stevens, não devemos deixar de ouvir o álbum de 2005 Illinois, tendo como canção de marca Chicago.

Para este 2012, Sufjan Stevens pegou em 58 canções, meteu-as numa caixa e baptizou o resultado final de Silver & Gold. Claro está, edição com o selo da Asthmatic Kitty.


Começando com uma versão muito calma de Silent Night, para não comprometer o título deste clássico, e seguindo-se o saltitante Lumberjack Christmas, original do próprio artista, as restantes 56 canções, divididas por cinco discos (por favor, não ousem ouvir o disco I Am Santa’s Helper) vão variando entre os solos de piano, coros com bandolim, assobios, flautas, e formas algo estranhas de interpretar canções de Natal.

Sufjan Stevens transforma-se em fantasma para cantar I’ll Be Home For Christmas, e faz-se passar por Radiohead para cantar em modo menor Let It Snow (canção de carácter natalício duvidoso).

E porque o rapaz é um simpático, decidiu oferecer para transferência legal e gratuita 3 canções: Mr. Frosty Man, Justice Delivers Its Death e Christmas Unicorn.

Nota final: daqui a um mês regresso com umas recomendações de álbuns de Natal disponíveis para transferência legal e gratuita.