Blogue de divulgação cultural, escrito por 28 pessoas. Um texto por dia, todos os dias.
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terça-feira, 26 de março de 2013

Um Cacilheiro em Veneza

por Mari&Ana

Uma ideia mais que original representará Portugal este ano na 55ª Bienal de Artes Visuais de Veneza. “Comandado” pela consagrada artista plástica portuguesa Joana Vasconcelos, o cacilheiro será o representante nacional numa das mais importantes exposições de arte a nível mundial.



A ideia que será desenvolvida pela artista ao longo de três meses – o projecto teve início em Fevereiro -, tem como objetivo uma customização total da embarcação que, por 51 anos transportou passageiros de Lisboa à Margem Sul e vice-versa.

Explorando todas as dimensões do barco, Joana Vasconcelos apenas adiantou alguns detalhes sobre o que pretende realizar. A começar por uma restauração estrutural completa da embarcação, o “Trafaria Praia” será revestido, no seu exterior, por azulejos pintados a mão na Fábrica Viúva Lamego. A temática, inspirada num painel de azulejos de Gabriel del Barco - “Grande Panorama de Lisboa”, do fim do século XVII -, remete à uma vista de Lisboa pelos olhos da contemporaneidade.

Já no interior, o primeiro piso será o dos têxteis, que irão complementar a ideia do azulejo, uma vez que também serão nas cores azul e branco que estamos habituados a ver nos painéis de azulejo. No segundo piso, a artista vai mais além: Forrado em cortiça, produto tipicamente português – também! -, será composto por uma loja e um palco. Este será o espaço de visita de alguns músicos nacionais, mas também para a apresentação de diversas palestras e conferências sobre a Arte Contemporânea Portuguesa.



A loja, segundo avançou Joana Vasconcelos, se encarregará de vender produtos também nacionais, desde enchidos a bordados. O objetivo primordial é divulgar o nosso país junto à Itália e, por sua vez, para todo o mundo.

Para quem ainda não sabe, este “pavilhão flutuante”, será o primeiro a representar Portugal nos Giardini de Veneza, onde já estão representados mais de 90 países. 

A parte mais triste da história é que este projeto, bastante ambicioso e motivo de orgulho para todos os portugueses, arrancou com apenas 175 mil euros em financiamento estatal – da Direção Geral das Artes - que, apesar de ser “muita massa”, não são suficientes para a conclusão da obra. Para não deixar a ideia “morrer na praia”, já estão sendo contactadas parcerias privadas que poderão custear o restante do projeto.



Sem mais delongas, o Trafaria Praia arranca no dia 10 de maio, transportado por um navio cargueiro, e deve chegar a Veneza até 15 dias depois. A inauguração da Bienal será entre os dias 29 e 31 do mesmo mês. Ah! E mais uma surpresa agradável: Prevê-se que o cacilheiro passe por mais três trajetos, dos quais, o mais importante será entre Giardini e Punta della Dogana. Com 75 passageiros à bordo, num dos percursos “alternativos”, pretende-se chegar a Lido, a ilha italiana onde irá acontecer o Festival de Cinema de Veneza, em Agosto. 

terça-feira, 19 de março de 2013

Take-away do submundo

por Rui Filipe

Para não me acusarem de qualquer tipo de anti-patriotismo (uma acusação que se calhar nem é descabida), depois de ter andado a mostrar o melhor que há tanto do outro lado do oceano como na nossa amigável ilha acima de nós, viro-me hoje para um dos grandes frutos da criatividade destas areias de Portugal. Na realidade, se calhar é um pouco prematuro colocar este rótulo na obra que decidi divulgar aqui, se olharmos com atenção percebemos que tanto o seu desenhador como colorista pertencem igualmente aquele conjunto de pessoas que vive do outro lado do oceano, mais especificamente na América do Sul. Porém, dado que o criador da história, que irei falar mais à frente, e toda a narrativa desta, pertencem ao habitat do peito ilustre lusitano, é bastante seguro rotular esta obra, que é de uma invulgar criatividade e entusiasmo nestas zonas, como pertencendo a estas terras. Para os mais entendidos na matéria, já percebem que estou a falar das Extraordinárias Aventuras de Dog Mendonça e Pizzaboy.



Se alguém neste momento está um pouco de pé atrás porque tem um estranho preconceito de que qualquer banda-desenhada europeia (e Portugal ainda é Europa) se trata de algo chato e introspectivo, em que basicamente existe muito diálogo e nu artístico, caso o nome ainda não o tenha feito, não tem que se preocupar com esta saga. Em vez deste cenário pouco apelativo, o autor Filipe Melo (alguém que por si só merece menção e que aconselho uma vista de olhos por todas as coisas que fez), ressuscitando em grande parte o espirito dos filmes de terror clássicos, traz-nos para uma Lisboa onde acima de tudo vive o fantástico e o terrível.

Eurico, um tanso alfacinha que inicialmente surge como um entregador de pizzas, encarna o papel de protagonista neste conjunto de histórias onde por obra estranha do destino encontra um dos investigadores mais bizarros que se pode esperar. Em conjunto com este, Eurico acaba por descobrir uma nova Lisboa e arredores onde, para além dos cenários que maior parte de nós conhecemos, também descobrimos toda uma população obscura que compartilha esta cidade.


Dado que supostamente somos seres humanos normais, a viver num mundo aparentemente natural, a única forma de aceder a esta face de Lisboa é pela nossa imaginação. Logo, a qualquer pessoa que queira conhecer uma nova visão deste local onde vivemos (chegando até a haver algumas referências á nossa amada senhora de Fátima), ou que então tenha apenas um gostinho especial por tudo o que tenha aquela aura do terror clássico, aconselho vivamente esta banda-desenhada. E já vai em dois números, portanto já há muito material suficiente para manter a malta ocupada!

quarta-feira, 13 de março de 2013

Que poder está nas mãos do cidadão?

por Luís Noronha

A humanidade desde sempre se organizou em pequenos núcleos sociais, mesmo antes de se sedentarizar. O mesmo se passa com os outros seres vivos, que se associam para melhor se defenderem das adversidades. Normalmente abriga-se à proteção dos mais fortes.

O mais recente meio de organização social é o dos Estados, que têm como função principal proteger os cidadãos e não uma máquina que vive à custa deles. Este tipo de organização não deverá ser o último.
Embora vivendo à sombra da proteção de famílias mais poderosas, até nas monarquiasde evoluíu para formas de organização políticas em que os cidadãos passaram a ter cada vez maior intervenção nas decisões do Estado.

Os sistemas que mantêm os cidadãos fora das decisões que os afetam, acabam sempre por ser repudiados por estes, poucas vezes de forma pacífica.



O que se tem passado na Europa e em Portugal, em tempo de crise, tem sido uma subversão do que devia ser o respeito pelas chamadas regras democráticas. A sociedade tem regredido em todos os aspetos, depois dos direitos progressivamente conquistados.

A democracia impõe o direito do cidadão ser consultado, não apenas pelo voto que exerce para eleger os diversos órgãos do poder.

Se ao fim de algum tempo a prática do poder desmente o programa proposto, qual é recurso ao alcance dos cidadãos para corrigir a situação? 

A divisão de poderes permite algum equilíbrio, mas se esses poderes são do mesmo sinal, se são cúmplices do embuste, o que resta aos cidadãos senão a revolta?

E qual é o efeito das diferentes manifestações de revolta, se todo o poder é controlado?

Não resta outra alternativa senão procurar os outros meios de intervenção que estão ao alcance

O referendo é muito usado na Suíça mas tem sido utilizado de forma por vezes perversa, ao impor a vontade ou os hábitos de curta maioria às minorias. Em Portugal o referendo pode ser requerido pelos cidadãos, mas com obstáculos quase intransponíveis.

A petição é um meio recentemente muito utilizado, previsto na Constituição e na Leimas nunca terão como consequência a alteração de decisões da maioria que houver na Assembleia.

A manifestação popular, juntando setores profissionais ou a população em geral, para reclamar ou para protestar, tem efeitos de desgaste do poder contra o qual se dirige, porque encurta a sua base social de apoio para as medidas que são impopulares. Quando a mobilização é grande normalmente tem consequências e provoca recuos nas decisões mais contestadas.

A greve é outra “arma” usada, ao dispor de quem trabalha, mas normalmente é a última delas, porque afeta bastante quem já é vítima das medidas contra as quais protesta.

A participação popular nas associações, sindicatos, organizações não governamentais e órgãos de poder local, são outras formas de democracia direta mas com pouca influência na definição da política do Estado.

A participação nos meios de comunicação, é um veículo transmissor e formador de opiniões e transformador de mentalidades.



A democracia não se esgota nas atuais fórmulas.

Na Suécia surgiu uma experiência de voto eletrónico que vincula a representante eleita pelo Demoex (experiência democrática), no município de Vallentuna perto de Estocolmo. Ela vota todas as propostas de acordo com a votação online dos eleitores inscritos na sua página.

Quanto mais instrução, educação, cultura e consciência cívica tiverem os cidadãos, mais difícil será a qualquer elite impor o seu poder, usando-o para fins diferentes e opostos com os quais se apresentou ao sufrágio.



A vontade popular, numa sociedade mais avançada, mais evoluída, mais informada tenderá necessária e inevitavelmente para formas de participação mais diretas e eficazes.

sábado, 23 de junho de 2012

Política e Ambiente: Qual a Importância na Sociedade?

por Nuno Sousa

Nos dias que correm, a política confunde-se com ações de resgate financeiro a vários países europeus por parte do FMI e de tantas outras instituições que, no caso de Portugal, estão em voga há cerca de um ano. Os governos parecem ser fruto destes resgates, em alguns casos manipulados pelo “medo” da eventual falência do seu governo e do seu país.

Essa pouca visão de “politiké”, como quem diz, assuntos públicos, leva-nos a um desinteresse tal sobre o nosso país, e por arrasto de nós próprios de uma forma inconsequente, que nos deixa à mercê dos governantes menos preocupados com o povo (será que, neste caso, lhes podemos chamar disso mesmo?), e pior, deixa-nos nas mãos dos mercados, de todo o sistema bancário e financeiro internacional.

É hora de acordar e de fazer ver que política é cultura, é educação e também dá saúde a quem a sabe praticar. Está na altura de nós, Portugueses, sermos capazes de ver que um desinteresse total sobre estes assuntos leva a um empobrecimento pessoal e coletivo da nossa nação.

Fazer política é, digo eu, tão fácil quanto separar os resíduos nas nossas casas. O problema é apenas inicial: aprendizagem e prática.

É preciso estar também advertido perante assuntos como o ambiente, a biodiversidade, reciclagem, pois tão importante como nós é o lugar a que chamamos de lar.

Urge uma preocupação saudável pelo nosso habitat social.

Seremos nós capazes de fazer de Portugal um país de homens livres e conscientes?

Texto escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico.