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segunda-feira, 1 de abril de 2013

O melhor educador é…

por Rute Vitorino

Hoje li um provérbio oriental que me despertou a atenção e me fez reflectir um pouco, enquanto professora, mãe e consequentemente educadora. O provérbio era bastante curto e apenas dizia "o melhor educador é o que conseguiu educar a si mesmo".

Por vezes, estamos tão preocupados em criticar e ver os defeitos daqueles que nos rodeiam, que nos esquecemos de olhar para nós próprios. E isto fez-me lembrar algumas situações a que já assisti ao longo da minha carreira profissional.


Muitas vezes, tentamos impor às nossas crianças certas regras e modos de vida, que consideramos ser os corretos na sociedade em que nos encontramos, que nos esquecemos de todo o resto. Como por exemplo, que a criança não é um ser vazio de saber. Pois até chegar até nós, já adquiriu muito conhecimento junto dos familiares, amigos e da sociedade onde se insere. Muitas vezes, este conhecimento, não é considerado o mais correto por nós, mas deverá ser respeitado.

O educador deve preocupar-se sim em mostrar à criança a diferença entre o bem e mal. O educador não deve impor os seus valores e ensinamentos à criança, deve sim respeitá-la e desta forma ajudá-la a descobrir dentro de si própria o caminho que considera mais correto seguir, mostrando-lhe sempre os prós e os contras da sua possível escolha.


Para finalizar, resta lembrar que no nosso papel de educadores, enquanto pais, professores, catequistas, etc, não nos podemos esquecer que a melhor maneira de educar uma criança, ou um jovem, é dando-lhes o nosso próprio exemplo. Pois, segundo Joseph Joubert "as crianças têm mais necessidade de modelos do que de críticas." E só dando o nosso exemplo pessoal, é que podemos dizer que somos bons educadores, pois ao tornarmo-nos num modelo para o outro é sinal que nos conseguimos educar a nós próprios primeiro.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

A crise e os direitos humanos

por Luís Noronha


10 de dezembro de  1948. No balanço de uma das mais sangrentas guerras da humanidade, a nova Organização das Nações Unidas, aprovou a Declaração Universal dos Direitos do Homem (DUDH).



A declaração proclama vários princípios como os da igualdade, justiça, paz e liberdade. Considera a LIBERDADE como a expressão de ser livre de ter uma crença, de expressão de opinião e também ser livre do medo e da miséria.



Na primeira metade do século XX, o mundo viveu períodos de guerras de crueldade enorme. Na segunda metade o equilíbrio entre as grandes potências “criou” teatros de guerra regionais, onde aquelas se confrontaram para alargar ou consolidar as suas zonas de influência.  

O sistema internacional não tende para a estabilidade. O Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados, o nosso compatriota António Guterres, afirmou que a desigualdade é a maior ameaça à paz no Mundo. A ameaça à paz não envolve apenas o conflito declarado entre países. Cada vez mais se acentuam as desigualdades dentro dos próprios países. A DHDU previne que a rebelião pode ser o último recurso do Homem contra a tirania e o atropelo ao Direito.

O brasileiro Paulo Roberto de Almeida, doutorado em Ciências Sociais e diplomata, considera que o início do século XXI se caracteriza por não ter uma situação equitativa, segura e estável que garanta um padrão de vida aos cidadãos e que os coloque ao abrigo de ruturas na ordem política, do bem-estar económico, segurança pessoal e refere as ameaças à paz, à democracia e condições materiais mínimas de desenvolvimento humano. Acrescenta que “Se o espectro de guerras globais entre as principais potências parece felizmente afastado, conflitos regionais, guerras civis, instabilidade económica e política e desigualdades sociais persistentes ainda constituem realidades frequentes no cenário atual, com uma incidência mais aguda nos chamados Estados falidos.” (1)

Os direitos que os cidadãos já alcançaram não podem ser ignorados pelo Estado, sob o risco de se agravarem as ruturas que provoquem contendas internas de alcance imprevisível. O Estado e os seus governantes existem para proteger os seus cidadãos e não os interesses de um sistema financeiro egoísta que tende a praticar novas e sofisticadas formas de agiotagem.

A atual defesa dos direitos humanos exige a defesa dos princípios de há 64 anos, que defendem os direitos à educação, ao trabalho, à segurança social, à igualdade perante a lei, ao acesso aos serviços públicos.

É importante que esta declaração contrarie a tendência atual e que é constantemente inculcada nos cidadãos, de que cada Estado tem de contrair as suas despesas de acordo com os resultados económicos. Ela proclama que os direitos económicos, sociais e culturais indispensáveis à sua dignidade e ao livre desenvolvimento da sua personalidade obrigam ao esforço nacional, mas também à cooperação internacional!


É essa cooperação que estamos assistindo na União Europeia? A falta de colaboração entre os Estados europeus, reconhecendo os interesses recíprocos e não apenas o poder do mais forte é a principal ameaça aos direitos humanos, porque acentua as desigualdades e a injusta espoliação de direitos.


sábado, 23 de junho de 2012

ESPAÇO Arquitectónico HOJE

por Manuela Braga
I

Arquitectura, Arquitectar, Inventar, maneira de Pensar  na Invenção do Espaço de Vida.
Começa por ser essencialmente, um conjunto de saberes ligados ao acto de construir relacionado intimamente com o Espaço íntimo do Homem.
Saberes estes que se foram tornando cada vez mais especializados ao longo dos tempos.
O Espaço de vida tem uma evolução paralela ao desenvolvimento Histórico-Social do Homem.

ESPAÇO Arquitectónico HOJE
O poder de escolha do espaço que se habita é  um privilégio da sociedade capitalista.
Pensar o abrigo, a casa, pensar o espaço que  nos  acolhe é  verdadeiramente um privilégio
Podemos chamar-lhe Espaço de inspiração e de nostalgia.
Cada Homem  pensa no seu espaço de vida de uma forma muito peculiar e diversa.
Cada um se projecta no espaço de forma quase inacessível  à compreensão dos que o rodeiam. Intima!
Não há mentes iguais, não há espaços iguais, nem casas iguais, nem aqueles que vivem na mesma casa a sentem da mesma forma.
A apropriação do Espaço é uma e uma só, a de cada um!
Falar do Espaço de vida é falar de si próprio.
Conseguir transmitir  o Espaço ideal de vida é e será sempre um dos processos mais complexos da mente Humana  para si e para os outros.
O Homem pensa e quer e projecta-se, mas a sombra que vislumbra  pode não ser a que idealiza e enganar-se constantemente, tendo que construir muito e muitas vezes até perceber aquilo que lhe interessa fundamentalmente.
O que é que interessa fundamentalmente a cada um?
É tão inconstante e tão efémero, que provavelmente provocará uma grande ansiedade a quem procura.
Desde  longa data  que comparo este processo de procura ao da ida ao Psiquiatra.
Construir uma casa é, essencialmente, construir-se a si próprio.
Saber quem É.
Quem é que sabe? Já ouvi falar na eterna procura da Pedra Filosofal.
Estas procuras têm  provocado na Paisagem um Universo de Amostras de Exemplos e Formas estranhas, que se entranham ou não no nosso entendimento do Espaço e da Vida, sobressaltando-nos e provocando-nos, levando-nos a pensar ou mesmo a mudar a nossa forma de estar para nos adaptarmos!
Será que o que gostamos é por estranharmos, ou porque nos projectamos na eterna procura do desconhecido que não entendemos?
Arquitectar será um processo construtivo formal, objectivo, ou simplesmente uma procura de Nós próprios através da projecção dos nossos sonhos?
Alguma vez estaremos satisfeitos? Qual é a Torre mais Alta? Quantos andares já tem? Onde se situa? Será isto Arquitectura?
Não seria melhor parar de construir e começar a pensar?
Arquitectar é Pensar essencialmente !
Construir? Acto imaturo próprio do Ser Humano.

Amigos voltem para as Cavernas, talvez se encontrem mais perto da vossa essência!