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sábado, 16 de março de 2013

Habitat Sustentável

por Manuela Braga


Hoje estive num seminário sobre DAP-DECLARAÇÕES AMBIENTAIS DE PRODUTO.

Os curiosos, que gostam de saber de tudo um pouco, deverão gostar de saber que este pequenino rectângulo-Portugal- fabrica imensos produtos para a construção civil.

A situação económica em que nos encontramos empurrou os produtores para o Mercado internacional.
Esta exportação, poderá ser o salva-vidas da economia Portuguesa.

O livre-trânsito de produtos na Europa, não é assim tão livre nem fácil, dado que as normas de certificação de cada país, exigem, que os produtos devam ser certificados e passar por variadíssimas análises de qualidade.

Para melhor explicar as exigências pedem:- Para poupar 30% na matéria-prima, emitir menos CO2 para atmosfera menos 30% do que emitiam e custar menos 30%.

As análises que são feitas em cada país Europeu, têm que seguir os mesmos critérios .
Estão-se a fazer RCP-Regras para a categoria de um Produto- no sentido de ter as mesmas referências de classificação, e não ser obrigada a ser classificado pelos outros países.

Criou-se uma plataforma de construção sustentável em Portugal , que emite um Dap e uma certificação de um produto para que seja aceite em qualquer outro país; é um passo gigante na salvação da produção nacional de materiais de construção civil.

Este esforço na concorrência a nível internacional dos produtos Portugueses obriga a um esforço e a uma análise de qualidade, acompanhada pelos técnicos de maior gabarito (investigadores Universitários, produtores, Engenheiros especializados, desde o berço à produção passando pela construção , manutenção e demolição. Mesmo na demolição se põe a questão da reutilização do produto, num circuito  ecológico. A produção cuidada com tecnologia avançada permitirá que se cumpram os objectivos ambientais nos tratados internacionais do Mundo Sustentável .

Todo este trabalho foi iniciado já em 2010 e pode agora ser visitado no site:



A Europa está a crescer,  visível apenas pelo capital.

O que mais me assusta nestes processos, é a desumanização do habitat.

Os portugueses não têm possibilidades económicas para competir com materiais de gabarito.
Ultimamente, quando tenho que fazer um projecto, as normas, regras, exigências e certificações são tantas da parte do Governo, que o espaço de habitar se está a tornar ilegível, sob o ponto de vista da sua habitabilidade. A minha casa porque foi construída antes das últimas normativas nacionais, é maravilhosa, quente, amável, confortável.

sábado, 23 de junho de 2012

Desenvolvimento Sustentável

por Luís Noronha 

Os cidadãos mais novos sempre ouviram falar das preocupações ambientais. Uma grande parte deles sente-as, mas uma outra parte poderá pensar “que não vale a pena” preocupar-se, porque os interesses económicos e financeiros dos mais poderosos acabam por impor a sua vontade.

Não corresponde à verdade. Até há 40 anos, a defesa do ambiente era quase exclusiva dos biólogos que se preocupavam com a conservação da natureza. Criaram-se reservas naturais, espaços isolados que tinham o propósito de manutenção das espécies e dos habitats ameaçados de extinção.
Apenas em 1972 a expressão “desenvolvimento sustentável” nasceu na conferência das Nações Unidas sobre Ambiente Humano, em Estocolmo. Note-se a preocupação centrada no Homem, numa lógica antropocentrista.

A agenda política começou a incluir os temas ambientais e surgem os primeiros ministérios do ambiente. Mas o planeta estava dividido entre os blocos liderados pelos Estados Unidos, a ocidente e pela União Soviética, a oriente. O desnível de desenvolvimento e acesso aos bens de consumo entre os países do Norte e os do Sul aumentava. Os chamados países do terceiro mundo, entre os quais começa a surgir um movimento dos não-alinhados, partilham o facto de serem antigas colónias de África, América do Sul e Ásia e serem vítimas da cobiça das grandes potências e de disputa entre os dois blocos. São sujeitos a guerras nacionais e regionais, golpes de estado e pilhagem das suas fontes de matérias-primas.

Só em 1987 foi publicado o relatório da Comissão Mundial para o Ambiente e Desenvolvimento (das Nações Unidas) – “ O Nosso Futuro Comum” – que adotou a expressão “desenvolvimento sustentável”, como definição para o objetivo de “desenvolvimento que dê resposta às necessidades do presente, sem comprometer a possibilidade das gerações futuras darem resposta às suas próprias necessidades”.

A cimeira de junho de 2012 pretende avançar para um compromisso político global para o desenvolvimento sustentável. Designa-se por Conferência do Rio + 20, porque foi há 20 anos (apenas) que foram lançadas as bases para a Agenda XXI (para o século XXI), que é um programa político que visa o aprofundamento da participação dos povos na definição do seu futuro e deu origem à “Declaração do Milénio”, adotada por 189 países, há apenas 12 anos. Nesta são definidos objetivos como o de erradicar a pobreza extrema e a fome, de garantir a sustentabilidade ambiental e fortalecer a parceria global para o desenvolvimento.

Foram obtidos compromissos importantes, resultados como o da maior consciencialização dos povos, mas apenas foram dados pequenos passos, porque a resistência do poder político, como mandatário dos interesses mais financeiros do que económicos, sobretudo nos países mais ricos, tem impedido que a política e o ambiente sejam realmente a resultante das condições de equilíbrio social, cultural e económico.
Os principais problemas estão diagnosticados e as soluções estão propostas e são impreteríveis a curto prazo. É necessário que a política global, e as nacionais, regionais e locais assumam escolhas claras que respeitem a resposta às necessidades de todos os cidadãos do planeta.

Texto escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico.